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Romulo de Carvalho / António GedeãoSe Rómulo de Carvalho tivesse escrito este texto de boas-vindas, talvez o começasse com a mesma frase que escreveu no seu livro «Física para o Povo»: Este livro é para si, meu amigo. Também este texto, bem como toda esta página, é para si. Para si, mas também para ele, Rómulo de Carvalho, ou António Gedeão.

Passam agora 100 anos sobre a data do seu nascimento. Entre o seu primeiro e último nome ficam outros dois igualmente sugestivos: Vasco da Gama. Também foi homem de “descobertas”. Nas palavras como na simplificação da ciência, marcou um século. Ao ponto de ter visto, ainda em vida, o dia do seu aniversário ser instituído como Dia Nacional da Cultura Científica. Passam 100 anos sobre o nascimento de um poeta, historiador das ciências, pedagogo, fotógrafo…

Escolheu António para pseudónimo literário, o mesmo nome de um tio por quem tinha tal afeição que chegou a afirmar que uma pessoa assim nunca deveria morrer. Juntou-lhe o nome de um aluno a que achou graça, e na sua poesia misturou a beleza e a simplicidade das palavras com a ciência das coisas simples, que sempre prezou.

Organizado e metódico, até as suas memórias são meticulosamente alinhadas. De 24 de Novembro de 1906 a 19 de Fevereiro de 1997, atravessa todo o século XX, até dois dias antes de partir, quando escreve a última página da sua própria história. Ao primeiro capítulo chamou Nasci e ao último Adeus, deixando um espaço para a data da sua partida.

Contou quantas vezes as músicas com poemas seus foram ouvidas na Rádio, em 1975. Em Portugal, 31 973 vezes. No estrangeiro 7 279. A Pedra Filosofal aparecia em primeiro lugar do “top”, com 12 628 passagens.

Leitor ávido, absorvia o que de mais interessante encontrava, e a partir daí produzia a sua obra. Fazia as suas próprias encadernações, onde guardava, para além das suas notas, recordações, como penas de pássaro e fotografias. Guardava os seus documentos em caixas de madeira, que construía, tal como a mobília do seu escritório. Gostava de ter sido marceneiro, se não tivesse sido professor e poeta.

Na poesia, como na ciência, como na vida, foi simples. Como ele próprio, esta página procura revelar um pouco de quem foi (e é) Rómulo de Carvalho, António Gedeão, cientista, poeta, pedagogo. Procurou sempre separar o professor do poeta, mas em todas as suas facetas, a simplicidade e a beleza estavam sempre presentes. Procurei responder às suas prováveis interrogações, sempre do modo mais simples, escreveu um dia. O exercício foi esse, e cabe-lhe a si avaliá-lo.