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Filipe Moura PDF Imprimir e-mail


Filipe Moura
"Passaram cem anos sobre o nascimento de Rómulo de Carvalho, e quem mais se evidenciou nas comemorações foram entidades sob a tutela do Ministério da Ciência, como o Pavilhão do Conhecimento. Quem em sua homenagem instituiu o dia do seu nascimento como o Dia Nacional da Cultura Científica foi o Ministério da Ciência. Rómulo de Carvalho foi um notável humanista, com obras publicadas em diversos domínios. A sua poesia, que assinou com o pseudónimo de António Gedeão, é só uma componente (notável, é certo) da sua obra. Mas o que verdadeiramente o distingue e o torna único é a sua actividade enquanto pedagogo e (sobretudo) divulgador científico. O autor de livros como A Física no Dia-a-Dia não deixou, em Portugal, sucessor. Por tudo isto é muito lamentável (e verdadeiramente redutor) que o Diário de Notícias, tendo tido a iniciativa de evocar a sua obra, passe completamente ao lado desta sua faceta. Daí a evocação vir na secção de Artes e não na da Educação, na ausência de uma secção de Ciência. Neste jornal, de resto, é mais fácil ler-se uma crítica às exposições patentes no Centro Pompidou ou no Museu Guggenheim de Bilbau do que no Pavilhão do Conhecimento, onde podemos encontrar módulos semelhantes aos da Cité des Sciences de Paris e exposições itinerantes das melhores da Europa. Por onde passam, estas exposições despertam a atenção da imprensa de referência. Menos do Diário de Notícias. Não quero com isto responsabilizar os jornalistas ou quem tem a missão de escrever sobre ciência neste jornal (que acredito que faça o seu trabalho da melhor maneira que pode). A questão é mesmo de critérios editoriais. Para o Diário de Notícias, Rómulo de Carvalho não interessa. Só interessa o António Gedeão."

 

Filipe Moura - professor do Instituto Superior Técnico (Departamento de Matemática)